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A Apneia Obstrutiva do Sono – Um assassino nada silencioso

2018-12-04 09:00:00,

A Cirurgia de Avanço Maxilo Mandibular para o tratamento do Ronco e da Apneia

O ronco é um problema que incomoda muito o parceiro de quem sofre deste mal. Mas há um problema ainda maior quando a questão é a apneia. Mas afinal, o que essa palavra pequena, mas tão diferente, quer dizer? Apneia quer dizer a suspensão do ato de respirar, parar de respirar. Um mergulhador deve iniciar a apneia quando submerge, e se manter assim até voltar a superfície, para daí sim, tomar um belo gole de ar fresco e encher os pulmões, antes de voltar para debaixo da agua. O paciente que tem o diagnóstico de Apneia Obstrutiva do Sono dorme em apneia. Mas qual o problema disso? Você pode imaginar porque o mergulhador não pode ficar por horas a fio debaixo da agua, em apneia? Vai lhe faltar oxigênio! Esse gás tão vital para todos os seres vivos entra no nosso corpo quando inspiramos o ar atmosférico. Quando um mergulhador percebe sinais que seu corpo já está sofrendo pela falta dele, volta para que seu corpo receba novamente o suprimento vital de oxigênio. Quando o paciente entra em apneia há redução desse gás no corpo, que sofre com as consequências. Quem dorme ao lado de quem ronca, deve prestar atenção se aquele paciente não atinge um nível mais grave e chega a parar de respirar!

Consideramos que o corpo entra em apneia quando o tempo em que para de respirar supera os dez segundos, podendo superar os 30 segundos. Ainda existe a hipopneia, quando há apenas a redução do fluxo, porém ocorre a dessaturação de oxigênio, ou seja, cai o nível de oxigênio no sangue. O cérebro sofre com a falta do oxigênio e causa despertares (imperceptíveis) para que o roncador volte a respirar e oxigenar o corpo. Com isso, o corpo não descansa, o paciente tem fadiga, acorda com a sensação que não dormiu o suficiente, tem dificuldade de memória, concentração e atenção. A apneia do sono é uma das principais causas de acidentes automobilísticos. Ele fica mais irritado, tem dores de cabeça pela manhã e apresenta-se sonolento durante o dia. Nos consultórios ouvimos com frequência: mas doutor, meu sono é excelente, é eu deitar na cama e já estou dormindo! Mas o sono não está cumprindo o seu objetivo essencial: reparar o corpo. O sono de qualidade é aquele que nosso organismo é reparado e recarregado de energia, para poder cumprir todas as atividades do dia seguinte.

Os problemas não param por aí. O ronco incomoda muito o parceiro, mas a apneia obstrutiva do sono causa problemas muito mais sérios. Muitos pacientes que tem a dificuldade de controlar a pressão arterial na verdade descobrem que passam a noite com esforço excessivo para respirar, causando a pressão alta. Pior ainda, diversas arritmias cardíacas, ou sejas variações no ritmo do coração, são causadas por esse grave distúrbio do sono. Quem sofre desse mal, tem um risco muito maior de infarto agudo do miocárdio e de acidente vascular encefálico – o popular derrame. Já está comprovado que portadores da apneia do sono tem prejuízo da atenção e capacidade mental. A apneia pode inclusive ser a causa da impotência sexual.

O diagnóstico é feito através de um exame que se chama polissonografia. Este exame é realizado numa clínica especializada onde a pessoa dorme uma noite em um quarto monitorizado e confortável. Vários sensores são fixados ao corpo para medições de parâmetros relacionados com o sono. Enquanto o paciente dorme é avaliada a atividade cerebral por um eletroencefalograma; a atividade muscular da face e pernas; o movimento dos olhos; o fluxo de ar; o esforço respiratório; a taxa de oxigênio no sangue; a atividade elétrica do coração pelo eletrocardiograma; a posição do corpo e a avaliação do ronco. Após essa noite, os parâmetros são analisados por um médico especialista do sono. Ele gera um relatório sobre a qualidade do sono do paciente, com a análise de várias medidas sabemos o correto diagnóstico e partimos para o tratamento.

Existem vários tipos e níveis de gravidade da apneia obstrutiva do sono. Para cada paciente um tratamento é proposto. Vão desde medidas simples como mudanças de hábito (comidas mais leves a noite, evitar comer muito próximo da hora de dormir, dormir de lado, evitar o álcool e etc) até as cirurgias para correção da via aérea.

O principal tratamento não cirúrgico para a apneia na atualidade é o uso de um aparelho de Pressão Positiva na Via Aérea Superior (CPAP, em inglês). Este equipamento gera uma pressão de ar que atravessa as vias respiratórias, impedindo o colapso e a apneia.  Para atingir as vias aéreas, o paciente utiliza de uma máscara no nariz, ou nariz e boca, durante a noite. O CPAP é capaz de gerar uma melhoria incrível na qualidade de vida do paciente com apneia. Reduz a chance de desenvolver doenças graves, reduz a pressão arterial nos hipertensos, reduz a sonolência, melhora a atenção e concentração e dá mais vitalidade para o paciente. Quem sofre desse problema, e consegue se adaptar ao uso do CPAP diz que mudou de vida! Em casos leves, o uso de um dispositivo intra-oral, confeccionado pelo dentista, pode manter a mandíbula numa posição anterior, resolvendo o transtorno de quem ronca, e de quem está ao lado.

As cirurgias para melhorar o ronco e apneia são aquelas com objetivo de melhorar o fluxo através da via aérea superior, para o ar chegar mais facilmente aos pulmões. Vão desde correções do desvio do septo nasal, redução das conchas nasais, remoção das amigdalas e remodelação da faringe.

Agora, dentre as opções cirúrgicas para a apneia grave, a com melhor resultado, isto é, capacidade de resolver a apneia, é o chamado Avanço Maxilo Mandibular. Esta é uma cirurgia realizada no esqueleto facial – maxila e mandíbula, com o objetivo de ampliar a via aérea. A garganta é como uma mangueira de tecido, flácida e facilmente colapsável; mas presa a uma estrutura rígida – o esqueleto craniomaxilofacial. Quando se amplia esta estrutura, há a abertura da via aérea, facilitando a passagem do ar, impedindo a apneia e o ronco. Essa cirurgia é realizada com a mesma técnica da chamada cirurgia ortognatica, mas com um objetivo diferente. São realizados cortes nos ossos da maxila e mandíbula, e posicionados numa posição mais anterior, que favorece a ampliação das vias aéreas superiores e reduzindo drasticamente o grau de apneia.

Na suspeita de que você, ou alguém da sua família sofre desse problema, busque um profissional capacitado para cuidar da sua saúde!

Gabriel Zorron Cavalcanti

Médico / Otorrinolaringologista / Cirurgião Craniomaxilofacial

CRMPR 38678 / RQE 23624 – 22958